Com mediana de 2 projetos por mês, isso estabelece um piso de R$ 1.900 por projeto apenas para cobrir custos. Sem lucro, sem reserva, sem imprevisto.
Se você procurar “quanto cobrar por um projeto de arquitetura”, vai encontrar as mesmas duas respostas repetidas em dezenas de páginas: um percentual sobre a obra, entre 3% e 8%, ou um valor por metro quadrado, entre R$ 60 e R$ 180.
As duas ignoram a mesma coisa: quanto custa você. Um preço só é sustentável se cobre o custo de quem projeta, e esse custo nunca aparece nas tabelas.
Este estudo cobre esse buraco. Os valores abaixo foram informados pelos próprios profissionais ao configurar o Orçamento Pro entre março e setembro de 2026. São números de quem trabalha, não estimativa de mercado.
O custo mensal, em números
| Custo mensal | 25% ganham até | Mediana | 75% ganham até |
|---|---|---|---|
| Pessoal (moradia, alimentação, transporte, saúde) | R$ 2.500 | R$ 3.000 | R$ 4.500 |
| Escritório (software, sala, contador, energia) | R$ 500 | R$ 700 | R$ 1.200 |
| Total para manter a profissão | – | R$ 3.800 | – |
O primeiro fato que salta: o custo de escritório é pequeno perto do custo de viver. A mediana de R$ 700 mensais de estrutura contra R$ 3.000 de custo pessoal mostra que a profissão, no Brasil, é majoritariamente exercida por gente que trabalha de casa, com pouca estrutura fixa. O que pesa no preço não é a sala: é a pessoa.
A distribuição: não existe “o arquiteto médio”
Um terço dos profissionais fica entre R$ 3.000 e R$ 4.000 por mês. Mas um em cada quatro gasta mais de R$ 6.000, e o percentil 90 chega a R$ 7.000. Isso significa que a mesma tabela de honorários que deixa um profissional confortável deixa outro no vermelho, para o mesmo projeto.
Um projeto de 100 m² a R$ 60/m² rende R$ 6.000 e cobre com folga o piso mediano de R$ 1.900. Já um projeto de interiores de 30 m², pelo mesmo valor por metro, rende R$ 1.800 e fica abaixo do piso, apesar de costumar dar mais trabalho por metro. O valor por metro quadrado não sabe quanto custa você, nem quantas horas o projeto vai tomar.
Onde o custo é maior
| Estado | Profissionais | Custo mensal mediano |
|---|---|---|
| Paraná | 32 | R$ 5.000 |
| São Paulo | 132 | R$ 4.200 |
| Rio de Janeiro | 22 | R$ 4.200 |
| Goiás | 18 | R$ 3.700 |
| Santa Catarina | 18 | R$ 3.575 |
| Rio Grande do Sul | 24 | R$ 3.550 |
| Ceará | 21 | R$ 3.400 |
| Distrito Federal | 73 | R$ 3.350 |
| Minas Gerais | 38 | R$ 3.325 |
| Bahia | 26 | R$ 3.300 |
A diferença entre o estado mais caro e o mais barato desta lista é de 52%. Um preço copiado de um colega de outro estado pode estar 50% descolado da realidade de custo de quem copiou.
Como usar esse número no seu preço
O piso de R$ 1.900 é a mediana, não a sua conta. A fórmula é simples e vale a pena fazer no papel antes de mandar a próxima proposta:
(custo pessoal mensal + custo de escritório mensal) ÷ projetos que você entrega por mês
Quem faz 1 projeto por mês com custo de R$ 3.800 precisa de R$ 3.800 por projeto só para empatar. Quem faz 4 precisa de R$ 950. O número muda tudo, e não aparece em nenhuma tabela de honorários.
Esse valor é o piso, o ponto em que você não ganha nada. O preço final ainda precisa somar impostos, margem de lucro, reserva para os meses sem projeto e o custo direto daquele trabalho específico: plotagem, visitas, deslocamento, licenças.
E vale a observação que os dados sustentam: a mediana é de 2 projetos por mês. Quem projeta a renda supondo um fluxo constante de trabalho costuma se surpreender. O piso precisa considerar os meses vazios.
Metodologia e limites
Amostra: 593 profissionais de arquitetura e design de interiores que se cadastraram no Orçamento Pro e informaram os próprios custos mensais entre março e setembro de 2026. Foram excluídas as contas internas do Studio Avanzo e as contas que mantiveram todos os valores padrão do formulário.
O que os números são: valores autodeclarados no momento em que a pessoa configurava a própria precificação, ou seja, com incentivo para acertar, já que o resultado do cálculo depende deles.
O que os números não são: não são uma amostra probabilística do CAU nem do mercado brasileiro inteiro. São profissionais que procuraram uma ferramenta de precificação, o que provavelmente concentra quem está em início de carreira ou revendo os próprios preços. Os recortes por estado usam apenas unidades com 15 ou mais respondentes.
Privacidade: todos os valores publicados são agregados em medianas e percentis. Nenhum dado individual, nome, e-mail ou empresa é divulgado.
Uso: os números desta página podem ser citados e reproduzidos com atribuição a Studio Avanzo e link para esta página.
Descubra o seu piso, não o da mediana
O Orçamento Pro parte dos seus custos reais e devolve o preço do seu projeto, com a memória de cálculo para você defender o número na frente do cliente.
Calcular o meu preço Teste grátis, sem cartão.Perguntas frequentes
Quanto custa manter a profissão de arquiteto no Brasil?
Segundo os 593 profissionais deste estudo, a mediana é de R$ 3.800 por mês, somando custo pessoal (mediana de R$ 3.000) e custo de escritório (mediana de R$ 700). Um em cada quatro gasta acima de R$ 6.000 por mês.
Qual o valor mínimo que eu deveria cobrar por projeto?
Divida o seu custo mensal total pelo número de projetos que você realmente entrega por mês. Com a mediana de R$ 3.800 e 2 projetos, o piso é R$ 1.900. Abaixo disso você está pagando para trabalhar. Esse piso não inclui lucro, imposto nem reserva.
Cobrar por metro quadrado cobre os meus custos?
Depende do tamanho. Projetos grandes costumam cobrir, projetos pequenos frequentemente não. Um interiores de 30 m² a R$ 60/m² rende R$ 1.800, abaixo do piso mediano, mesmo dando mais trabalho por metro que uma casa maior e simples.
O custo varia muito por estado?
Sim. Entre os estados com amostra suficiente, a mediana vai de R$ 3.300 na Bahia a R$ 5.000 no Paraná, uma diferença de 52%. Copiar o preço de um colega de outro estado ignora essa distância.