Estudo · dados primários

Quanto custa ser arquiteto no Brasil?

Todo mundo discute quanto o arquiteto deve cobrar. Quase ninguém publica quanto custa existir como arquiteto. Fomos ver, e a primeira descoberta não foi o valor: foi que a maioria não sabe qual é o dela.

474 de 601
aceitaram o custo sugerido em vez de informar o próprio

De 601 profissionais que configuraram a própria precificação no Orçamento Pro, só 127 digitaram os próprios números. O resto seguiu adiante com o valor que o formulário já vinha preenchendo, e calculou preço em cima do custo de outra pessoa.

Se você procurar “quanto cobrar por um projeto de arquitetura”, vai encontrar sempre as mesmas duas respostas: um percentual sobre o valor da obra, ou um valor por metro quadrado. As duas ignoram a mesma coisa: quanto custa você.

Um preço só se sustenta se cobre o custo de quem projeta. Esse custo não aparece em tabela de honorários nenhuma, e é individual por definição. Fomos olhar quantos profissionais de fato sabem o próprio número.

Entre março e setembro de 2026, 601 pessoas configuraram a precificação no Orçamento Pro. O formulário chega com uma sugestão de custo já preenchida, calibrada por região, para ninguém travar na primeira tela. 474 seguiram adiante com a sugestão. Não é preguiça: é que a maior parte não tem o número na ponta da língua, e nunca precisou ter.

É um problema silencioso. Quem calcula o preço a partir do custo de outra pessoa recebe o preço de outra pessoa, e o cálculo parece ter funcionado do mesmo jeito.

O custo mensal, em números

Custo mensalpercentil 25medianapercentil 75
Pessoal (moradia, alimentação, transporte, saúde)R$ 1.950R$ 3.000R$ 5.000
Escritório (software, sala, contador, energia)R$ 480R$ 800R$ 2.000
Total para manter a profissãoR$ 2.500R$ 4.000R$ 6.500

O primeiro fato que salta: o custo de escritório é pequeno perto do custo de viver. A mediana de R$ 800 mensais de estrutura contra R$ 3.000 de custo pessoal mostra uma profissão exercida majoritariamente de casa, com pouca estrutura fixa. O que pesa no preço não é a sala: é a pessoa.

A distribuição: não existe “o arquiteto médio”

até R$ 2.00011 · 8,7%
R$ 2.000 a 3.00031 · 24,4%
R$ 3.000 a 4.00021 · 16,5%
R$ 4.000 a 6.00026 · 20,5%
R$ 6.000 a 10.00024 · 18,9%
acima de R$ 10.00014 · 11,0%

Não há concentração: a faixa mais cheia carrega 24,4% da amostra e a mais vazia 8,7%. E 29,9% gastam mais de R$ 6.000 por mês. A mesma tabela de honorários que deixa um profissional confortável deixa outro no vermelho, para o mesmo projeto. É por isso que copiar preço de colega falha de um jeito que ninguém percebe na hora.

Por que o preço por metro quadrado engana

Pegue o seu valor por metro quadrado e multiplique pela área de um projeto pequeno de interiores. Compare com o seu piso. Na maioria das contas, o projeto pequeno fica abaixo do piso, apesar de costumar dar mais trabalho por metro que o grande. O valor por metro quadrado não sabe quanto custa você, nem quantas horas o projeto vai tomar.

Por que não existe recorte por estado nesta página

Uma versão anterior deste estudo publicava uma tabela de custo mediano por estado. Ela saiu do ar, e vale explicar por quê, porque o motivo é o mesmo achado principal.

O formulário sugere um custo calibrado por região. Quando a maioria de um estado aceita a sugestão, a mediana daquele estado tende a devolver o próprio valor que o formulário sugeriu. O recorte regional parecia medir o mercado e estava medindo o nosso preenchimento automático. Ao separar quem digitou de quem aceitou, a maior parte dos estados ficou sem amostra suficiente, e a diferença entre o estado mais caro e o mais barato desapareceu.

Preferimos publicar menos e responder por tudo que ficou. Quem já tinha citado a tabela antiga pode escrever para o Studio Avanzo que enviamos a correção.

Como usar esse número no seu preço

O piso de R$ 2.000 é a mediana, e a mediana não é a sua conta. A fórmula é simples e vale a pena fazer no papel antes de mandar a próxima proposta:

O seu piso por projeto

(custo pessoal mensal + custo de escritório mensal) ÷ projetos que você entrega por mês

Quem faz 1 projeto por mês com custo de R$ 4.000 precisa de R$ 4.000 por projeto só para empatar. Quem faz 4 precisa de R$ 1.000. O número muda tudo, e não aparece em nenhuma tabela de honorários.

Esse valor é o piso, o ponto em que você não ganha nada. O preço final ainda precisa somar impostos, margem de lucro, reserva para os meses sem projeto e o custo direto daquele trabalho específico: plotagem, visitas, deslocamento, licenças.

E vale a observação que os dados sustentam: a mediana é de 2 projetos por mês. Quem projeta a renda supondo um fluxo constante de trabalho costuma se surpreender. O piso precisa considerar os meses vazios.

Se você não sabe de cabeça quanto gasta por mês, você está na maioria: são 474 de 601. A conta leva dez minutos e muda todas as propostas seguintes.

Metodologia e limites

Base: 601 contas de profissionais de arquitetura e design de interiores que configuraram a precificação no Orçamento Pro entre março e setembro de 2026.

Como separamos quem digitou de quem aceitou: o formulário chega preenchido com uma sugestão. Um par de valores digitado por uma pessoa é praticamente único; uma sugestão do sistema se repete idêntica em muitas contas de regiões diferentes. Classificamos como sugestão aceita todo par de custo que aparece em quatro ou mais regiões distintas ou em dez ou mais contas. Sobraram 127 contas com valores demonstravelmente próprios, e são só elas que entram nas medianas desta página.

Correção de 05/09/2026: a primeira versão desta página publicava mediana de R$ 3.800 sobre 593 respondentes e uma tabela por estado. O critério de exclusão de então removia apenas oito contas e deixava passar centenas de sugestões aceitas. Os números foram refeitos e o recorte por estado foi removido. Registramos o erro em vez de apagá-lo.

O que os números são: valores autodeclarados no momento em que a pessoa configurava a própria precificação, com incentivo para acertar, já que o resultado do cálculo depende deles.

O que os números não são: não são amostra probabilística do CAU nem do mercado brasileiro. São profissionais que procuraram uma ferramenta de precificação, o que provavelmente concentra quem está em início de carreira ou revendo os próprios preços. O critério de separação é conservador e pode ter descartado valores digitados que por acaso coincidiram com uma sugestão.

Privacidade: todos os valores publicados são agregados em medianas e percentis. Nenhum dado individual, nome, e-mail ou empresa é divulgado.

Uso: os números desta página podem ser citados e reproduzidos com atribuição a Studio Avanzo e link para esta página.

Descubra o seu piso, não o da mediana

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Perguntas frequentes

Quanto custa manter a profissão de arquiteto no Brasil?

Entre os 127 profissionais que digitaram os próprios valores, a mediana é de R$ 4.000 por mês, somando custo pessoal (mediana de R$ 3.000) e custo de escritório (mediana de R$ 800). O intervalo é largo: R$ 2.500 no percentil 25 e R$ 6.500 no percentil 75.

Qual o valor mínimo que eu deveria cobrar por projeto?

Divida o seu custo mensal total pelo número de projetos que você realmente entrega por mês. Com a mediana de R$ 4.000 e 2 projetos, o piso é R$ 2.000. Abaixo disso você está pagando para trabalhar. Esse piso não inclui lucro, imposto nem reserva.

Cobrar por metro quadrado cobre os meus custos?

Depende do tamanho. Projetos grandes costumam cobrir, projetos pequenos frequentemente não. Faça a conta com o seu valor por metro e a área de um interiores pequeno: costuma ficar abaixo do piso, mesmo dando mais trabalho por metro que uma casa maior e simples.

A maioria dos arquitetos sabe quanto custa se manter?

Os dados sugerem que não. De 601 contas que configuraram a precificação, 474 seguiram com o custo que o formulário sugeriu, sem trocar por um valor próprio. Só 127 digitaram os próprios números. Quem calcula preço em cima do custo de outra pessoa recebe o preço de outra pessoa, e o cálculo parece ter funcionado igual.

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