Guia prático de precificação

Quanto cobrar por um projeto de design de interiores?

Interiores é onde o metro quadrado mais engana. É pouco espaço com muito detalhe, e é justamente o detalhe que consome o seu tempo. Se você cobra por área, provavelmente está cobrando de menos. Vamos ajeitar isso.

Um projeto de interiores parece "menor" que um de arquitetura, porque muitas vezes é um apartamento, alguns ambientes. Mas dentro daquele espaço tem especificação de acabamento, detalhamento de marcenaria, seleção de mobiliário, iluminação e, quase sempre, acompanhamento de execução. Cada uma dessas camadas é hora de trabalho. E hora de trabalho é o que o preço precisa cobrir. Se a sua conta começa e termina no metro quadrado, ela ignora quase tudo que dá trabalho de verdade.

Por que interiores é diferente de arquitetura na hora de cobrar

Na arquitetura, boa parte do valor está na concepção e na documentação. Em interiores, o peso migra pro detalhe: uma cozinha bem resolvida pode ter mais horas de marcenaria detalhada que uma planta inteira de uma casa simples. Some a isso a especificação (escolher e casar acabamentos, louças, metais, tecidos) e o acompanhamento, que se estica por semanas. É muita hora concentrada em pouca área. Por isso a régua da arquitetura não serve direto, e o metro quadrado atrapalha mais do que ajuda.

O erro que faz o designer trabalhar quase de graça

Fechar tudo por metro quadrado

Um closet de 4 m² cheio de marcenaria pode dar mais trabalho que um quarto de 20 m² vazio. Área não mede detalhe, e detalhe é o seu tempo.

Não separar o acompanhamento

Embutir o acompanhamento de obra no preço do projeto, sem contar as horas, é o buraco onde some o lucro. Acompanhamento é escopo à parte, com preço próprio.

Deixar o escopo vago

Se a proposta não diz onde o projeto começa e termina, o cliente vai pedir "só mais um detalhe" pra sempre. Escopo claro protege o seu tempo.

Como formar o preço de um projeto de interiores

A base é a mesma de qualquer projeto, e parte de você, não de tabela pronta:

1. O custo da sua hora

Quanto você precisa faturar por mês pra viver e trabalhar, dividido pelas horas que consegue de fato vender. Esse é o piso de tudo.

2. As horas de cada camada

Estime separadamente: conceito, detalhamento de marcenaria, especificação de acabamentos, projeto de iluminação, pranchas. Interiores tem mais camadas que a gente lembra na hora, e cada uma soma horas.

3. O acompanhamento como item separado

Defina se vai acompanhar a obra, com que frequência, por quanto tempo. Precifique isso à parte, por visita ou por período. Deixe explícito na proposta.

4. Complexidade e região

Reforma pesa mais que ambiente vazio. Cliente indeciso consome horas extras. E o mesmo projeto vale diferente numa capital e numa cidade pequena. Esses fatores ajustam o número final.

O que muda tudo

Cobrar por ambiente reflete melhor a realidade que cobrar por metro quadrado, porque aproxima o preço das horas de cada cômodo. Mas ambiente também é só referência: quem manda no número são as horas reais e o escopo. Use ambiente pra conferir se a conta faz sentido, não pra substituir a conta.

Passo a passo pra montar a proposta

Calcule o custo da sua hora

Uma vez só, vale pra todos os projetos.

Liste os ambientes e as camadas

Estime as horas de cada um, incluindo marcenaria e especificação.

Separe o acompanhamento

Item próprio, com preço e frequência definidos.

Aplique complexidade e região

Ajuste pra cima ou pra baixo conforme a realidade do projeto.

Escreva o escopo com clareza

O que está incluído, o que é extra, prazos e etapas. Isso vende mais que desconto.

Faça essa conta sem sofrer

O OrçamentoPro calcula quanto cobrar pelo seu projeto de interiores a partir dos seus números, considera ambientes, complexidade e região do Brasil, e gera a proposta pro WhatsApp e o contrato pronto pra assinar. Pague uma vez, é seu pra sempre.

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Leia também: Quanto cobrar por um projeto de arquitetura? Os quatro fatores que formam o preço e os erros clássicos de quem está começando.

Perguntas frequentes

Quanto cobra um designer de interiores?

Depende do custo da hora do profissional, das horas que o projeto consome e do escopo contratado. Projetos de interiores têm muito detalhe por metro quadrado (especificação, marcenaria, acompanhamento), então cobrar apenas por área quase sempre subvaloriza o trabalho. O preço justo parte dos seus próprios números, não de uma tabela pronta.

Devo cobrar por ambiente ou por metro quadrado?

Por ambiente costuma refletir melhor a realidade do que por metro quadrado, porque uma cozinha ou um closet cheios de marcenaria dão muito mais trabalho que uma sala ampla e simples. Mas o ideal é partir das horas reais de cada ambiente, e usar ambiente ou metro quadrado só como referência para conferir se o número faz sentido.

O acompanhamento de obra entra no preço do projeto?

Deve ser tratado como escopo à parte, com preço próprio. Acompanhamento consome muitas horas ao longo de semanas ou meses. Embutir no valor do projeto sem contar essas horas é um dos erros que mais fazem o designer trabalhar de graça. Deixe claro na proposta o que está incluído e o que é cobrado adicionalmente.

Por que interiores é mais difícil de precificar que arquitetura?

Porque interiores concentra muito detalhe em pouca área: especificação de acabamentos, detalhamento de marcenaria, seleção de mobiliário e acompanhamento. Tudo isso é hora de trabalho que o metro quadrado não enxerga. Por isso a conta precisa partir das horas e do escopo, não do tamanho do imóvel.